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Discurso da Sra. Sonia Gandhi, Presidente da United Progressive Alliance, durante a celebração do primeiro Dia Internacional da Não-Violência na 62ª sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas em 2 de outubro de 2007


Fonte: Sonia Gandhi



Sua Excelência Presidente Srgjan Kerim,
Sua Excelência Ministro Dlamini Zuma,
Sua Excelência Secretário Geral Ban Ki-moon,
Excelências,
Senhoras e senhores,

É uma honra dirigir-me à Assembléia Geral das Nações Unidas na data em que observamos, pela primeira vez, no aniversário de Mahatma Gandhi, o Dia Internacional da Não-Violência. Esta é uma homenagem coletiva da comunidade mundial a um dos grandes homens de todos os tempos, uma homenagem que se eleva acima da política e fala a toda a humanidade. Quero apresentar à Assembléia Geral a gratidão de mais de um bilhão de pessoas de meu país em virtude do presente tributo. Ofereço também nosso sincero apreço a todos os estados membros que co-patrocinaram a resolução e deram seu apoio. Em especial à África do Sul, em cujo solo Mahatma Gandhi, a 11 de setembro de 1906, deu início à sua jornada espiritual e política, o Satyagraha, ou movimento da Força da Verdade.

Guerra, conflito e derramamento de sangue estão enraizados na história e na psique humana como os instrumentos inevitáveis e predeterminados do poder. A violência veio a ser aceita como normal e a não-violência como aberração. É impressionante, como disse um observador, que na maioria dos idiomas não exista uma palavra proativa para a não-violência. Ela não tem sido considerada como um conceito em si mesmo, mas simplesmente a negação de uma outra coisa.

Outros conceitos têm seus antônimos próprios: guerra e paz, pecado e virtude, ódio e amor. Não obstante, embora todas as religiões do mundo preguem a não-violência, não existe uma palavra afirmativa e independente que a defina. Assim, no nosso próprio processo mental, o conceito de violência se tornou central, e o da não-violência marginal.

Não é surpreendente, portanto, que abundem falácias sobre a não-violência. Alguns a consideram um sinal de fraqueza ou covardia. Nada mais longe da mais verdade. A não violência vai muito além da resistência passiva ou mesmo da desobediência civil. Praticá-la em seu verdadeiro espírito exige extrema disciplina mental: a coragem para enfrentar a agressão, a convicção moral para refrear seu progresso, e a força para fazê-lo sem abrigar maus sentimentos contra o oponente.