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    11 de junho
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105º Comitê da Cultura de Paz
11 de junho

Os impactos do modelo de desenvolvimento na dignidade humana: interculturalidade e construção de novas sociabilidades como antídoto à violência estrutural

Com Profº Dra. Luciane Lucas dos Santos



A violência pode manifestar-se de muitas e diferentes formas – nem todas explícitas ou evidentes à primeira vista. O modelo de desenvolvimento que um país adota, por exemplo, pode constituir-se, paradoxalmente, num vetor de violência – tanto por conta das representações hegemônicas que aciona e disssemina no tecido social, quanto pela naturalização de hierarquias que estabelece. As ideias de progresso e desenvolvimento não raro transformam-se em desrespeito à diversidade e às diferentes temporalidades que marcam as formas múltiplas de organização da vida. O pensamento moderno ocidental – que, segundo Boaventura de Sousa Santos, opera por linhas abissais – fundamenta e legitima esta violência estrutural, encarregando-se de não só definir as experiências e saberes válidos como também classificar todo o resto como irrelevante.

Tendo em vista este panorama, o 105º Fórum do Comitê da Cultura de Paz tem por finalidade discutir a violência intrínseca ao modelo de desenvolvimento neoextrativista que a globalização hegemônica tem disseminado nos países latino-americanos. Neste sentido – e tendo por base de reflexão os conceitos de fascismo social, sociologia das ausências e linha abissal de Boaventura de Sousa Santos –, procuramos refletir não só sobre as hierarquias hoje estabelecidas entre diferentes saberes, temporalidades, escalas e perspectivas de produção, como também sobre o impacto destas hierarquias na dignidade humana. O consumo desenfreado aparece, nesta discussão, como marcador social que naturaliza a violência, ao estabelecer e mesmo fomentar uma hierarquia das diferenças (seja de classe, etnia/raça, gênero, orientação sexual etc).

Tendo a dignidade humana como elemento central neste debate, procuramos refletir também sobre o papel das novas sociabilidades na luta contra a violência promovida pelo modelo de desenvolvimento. Estas novas sociabilidades – que não desviam necessariamente do conflito, mas se alicerçam, ainda assim, em novas formas de convivência e solidariedade –, ressignificam o debate em torno dos conceitos de paz, dignidade e luta. Fica a pergunta: tendo em vista que a linha abissal promoveu fissuras históricas, mantendo feridas abertas no tecido social, que sentido de paz é possível? Em que medida a tradução intercultural – no diálogo com a diferença e no reconhecimento da incompletude intrínseca a cada uma das partes – permite ultrapassar a linha abissal? E como as diferenças se podem articular contra a injustiça social e cognitiva, na perspectiva de garantir os direitos econômicos, sociais e culturais que o modelo de desenvolvimento permanentemente nega?


ENTRADA FRANCA


11 de junho 2013 • terça-feira • 19 horas
Auditório do MASP • Museu de Arte de São Paulo
Avenida Paulista, 1578 – São Paulo / SP – Estação Trianon-MASP do metrô
Não é necessário fazer inscrição antecipada

Luciane Lucas dos Santos
concluiu o doutoramento em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2004, foi professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Hoje é pesquisadora pós-doc no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (Portugal), sob a supervisão do Prof. Dr. Boaventura de Sousa Santos. Integra o Núcleo Democracia, Cidadania e Direito (DECIDe), a equipe de investigação do Projeto Alice – projeto internacional financiado pela European Research Council e o Grupo de Economia Solidária (ECOSOL), que faz parte do Núcleo de Estudos em Políticas Sociais, Trabalho e Desigualdades do CES/UC. Atualmente, sua pesquisa está relacionada aos seguintes temas: teoria crítica do consumo, economia solidária, redes solidárias de trocas e economias originárias campesinas.